Aspectos Geográficos

Vila e sede do concelho, Vila do Porto é o único concelho na ilha Santa Maria, ilha pertencente ao grupo oriental do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado pelo oceano Atlântico em todas as direcções, ocupando uma superfície de 97,1 km2, distribuída por cinco freguesias: Almagreira; Santa Bárbara; Santo Espírito; São Pedro e Vila do Porto.

Em 2001, o concelho apresentava 5578 habitantes.

Esta região tem um clima oceânico menos acentuado, sendo ameno e com muito sol, aproximando-se do clima mediterrânico. As temperaturas médias oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC. O relevo é integrado na ilha de Santa Maria, sendo caracterizado por basaltos, andesitos e tufos. É possível encontrar as seguintes formações geológicas: ilhéu de São Lourenço, ilhéu da Vila, ilhéu de Lagoainhas, Pico Alto (590 m), Cavacas (491 m), Caldeira (481 m), Ponta do Marvão, Ponta do Castelo e Ponta do Norte.

 

História e Monumentos

Santa Maria foi a primeira ilha a ser povoada em 1439, tendo tido como primeiro governador Gonçalo Velho Cabral. Vila do Porto foi a primeira vila a receber foral em 1470, tornando-se então no primeiro município dos Açores.

A economia do concelho baseou-se na produção de pastel até o século XIX. Não houve neste período factos históricos a relatar, à excepção da passagem de Cristóvão Colombo por estas terras, quando regressava da América, em 1493.

A ilha esteve excluída das rotas comerciais, dedicando-se quase exclusivamente à agricultura e à criação de gado até aos dias de hoje.

Com a construção do aeroporto internacional em 1944, assumiu um importante papel nas ligações aéreas através do Atlântico, sendo actualmente o centro de controlo de tráfego aéreo no Atlântico Norte.

Do património arquitectónico existente no concelho destaca-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção (séculos XV-XVI), padroeira da vila. A igreja sofreu profundas alterações arquitectónicas no século XVIII, restando da estrutura inicial uma porta lateral gótica e um tecto manuelino da Capela de Santa Catarina. No seu interior existem colunas em pedra vermelha da ilha, que suportam as três naves da igreja. Possui também imagens em talha, de origem flamenga, que datam do século XV.

Ainda de cariz religioso, é de referir a Igreja da Misericórdia (anterior a 1536), o Convento de Santo António, a Igreja de Nossa Senhora da Purificação, com ornamentos em lava preta, e a Ermida dos Anjos (século XVI), local onde a tripulação de Colombo rezou uma missa como cumprimento de uma promessa.

Outros pontos de interesse a salientar são as ruínas da casa de São João de Sousa (século XV), com as suas janelas góticas; os solares antigos, com portadas góticas, janelas manuelinas e telhados de quatro águas, e os Paços do Concelho, situados no antigo Convento de São Francisco. Este é um edifício do século XVII, que alberga actualmente a Câmara Municipal e outros organismos públicos, destacando-se o claustro com arabesco e um jardim interior.

O Forte de São Brás constitui um exemplo de arquitectura militar, construído durante o domínio filipino para proteger a população. No seu interior encontra-se a Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Rocha.

 

Tradições, Lendas e Curiosidades

A actividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que pediam a protecção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o ceptro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Para além desta festa, que é celebrada praticamente em todas as ilhas, decorre a 15 de Agosto a Festa da Nossa Senhora da Assunção. No último fim-de-semana de Agosto, na Praia Formosa a Maré de Agosto, tem lugar um dos festivais de música mais concorridos do arquipélago.

A nível de artesanato destacam-se a louça em barro vermelho e outras peças de olaria, cuja tradição se procura recuperar; as camisolas de lã feitas manualmente, as mantas de retalhos coloridas e os panos de linho, os chapéus de palha, os cestos de vime e vários objectos em ferro e madeira.

Ainda no aspecto cultural, é de referir o Museu Etnográfico do Espírito Santo, o santo mais venerado no arquipélago, onde também se podem ver utensílios, potes, talha e outros objectos confeccionados com barro vermelho da ilha.

Vila do Porto guarda algumas histórias para contar. Uma delas está relacionada com a passagem de Cristóvão Colombo pela ilha, quando regressava da viagem de descoberta do continente americano. Era o ano da graça de 1493 e deu-se uma terrível tempestade que levou a frota de Cristóvão Colombo a procurar refúgio em Anjos, lugar de Santa Maria. A tripulação desembarcou, com o intuito de se abastecer e rezar uma missa de agradecimento por ter sobrevivido à tempestade. A população, pensando tratar-se de mais um ataque de piratas, cercou-os e prendeu parte da tripulação. Após explicações e negociações, os marinheiros foram finalmente libertados e puderam cumprir a promessa na Ermida de Nossa Senhora dos Anjos.

Existe também uma lenda associada à Ermida de Nossa Senhora do Pilar ou Senhora dos Milagres. Um artista concebeu um retábulo lavrado com colunas salomónicas de pedra local. A obra foi de tal perfeição que o artista foi chamado para junto de Nossa Senhora, morrendo no dia em que concluiu a obra.

 

Economia

Em Vila do Porto, o sector primário, na área da agro-pecuária, constitui a base da economia do concelho, onde a área agrícola ocupa 47,6% da área do concelho. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, as culturas permanentes de batata e vinha, as culturas temporárias de cereais e leguminosas secas para grão, prados e pastagens permanentes e prados temporários.

No que respeita à pecuária, os bovinos, os suínos e as aves constituem as principais espécies de criação de gado.

A região apresenta uma baixa densidade florestal, 22,4%, que corresponde a 19 ha de área, salientando-se as espécies cedros, zimbros e loureiros.

Quanto ao sector secundário, é de referir a existência de serrações de madeiras, fabrico de blocos e de telha artesanal e a indústria de lacticínios, esta última resultante da forte actividade agro-pecuária na ilha.

No sector terciário, essencialmente dedicado ao turismo, as principais actividades e atracções turísticas que se podem encontrar por toda a ilha consistem na prática de desporto náuticos, nomeadamente windsurf, vela, esqui aquático, surf, pesca desportiva e mergulho. Também é possível fazer praia, passeios e caça ao coelho. Existe ainda uma estância de Verão na Baía de S. Lourenço.